30 de outubro de 2014

Doutor Jivago, (1965)





TRILHA ORIGINAL
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Lara's Theme (Maurice Jarre)

Maurice Jarre, recentemente desaparecido aos 82 anos, foi um dos maiores gênios das trilhas sonoras para o cinema. Sua carreira musical começou nos anos 50 em curta-metragens de seu país de origem, a França. No entanto, seu primeiro grande sucesso foi em Lawrence da Arábia, o que lançou definitivamente sua parceria com o realizador David Lean. Sua música está para sempre ligada a filmes legendários como Doutor Jivago, Ghost, Shogun, Carruagens de Fogo, O Círculo dos Poetas Desaparecidos, entre outros. Recebeu várias premiações, entre elas 3 Oscars e 4 Golden Globes.



Doctor Zhivago (Doutor Jivago) - 1965

Após 40 anos de sua primeira exibição, Doutor Zhivago é uma obra-prima da cinematografia mundial. E com merecido aplausos, diga-se de passagem. Mais um grande sucesso da filmografia do premiado David Lean (o mesmo de Grandes Esperanças, Lawrence da Arábia, A Ponte do Rio Kwait, Passagem para Índia, dentre tantos outros), Doutor Zhivago narra a história de um homem que amava duas mulheres, de forma intensa e sincera, sob o cenário violento das divergências ideológicas e políticas entre o liberalismo burguês e o socialismo dos sovietes na conturbada Rússia, às vésperas da Revolução Bolchevique de 1917.

Doctor Zhivago, 1965

Inspirado no romance de Boris Pasternak, Lean levou às telas um filme que, a meu ver, pode ser considerado uma das mais fiéis adaptações da literatura para o cinema. Para escrever o roteiro, Lean convidou o excelente dramaturgo Robert Bolt, que já havia trabalhado para David Lean no filme “Lawrence da Arábia”. O que poucos sabem é que o livro que deu origem ao filme foi altamente condenado na Rússia. Boris Parternak (que recusou o Prêmio Nobel de Literatura por este livro) chegou várias vezes a ser chamado de traidor da pátria. Logo ele, que com seus 15 anos de idade vem começar a tomar nota do horror que foi a Revolução Russa, para mais tarde escrever, já com toda a experiência e sabedoria provinda de seus estudos filosóficos em Moscou e na Alemanha, um poético e sublime romance em defesa da paz. Impedido de publicar o romance na Rússia, o livro só veio a se tornar um best-seller mundial graças a intervenção de um contrabando local que levou os manuscritos até um editor em Milão, Itália. Se não fosse isso, estaríamos até hoje sem ter tido o deleite de assistir a esse filme, captado de imediato pelo olhar visionário do produtor Carlo Ponti e do presidente da MGM, Robert H. O’Brien, que juntos, levaram a história ao grande cineasta, David Lean.

Omar Sharif

Para contar uma história que se passa ao longo de 40 anos, David Lean exigia rostos novos, mas memoráveis, capazes de exprimir a juventude nas primeiras seqüências e a maturidade nas últimas cenas, de igual proporção. Através de uma criteriosa seleção de atores, Lean reuniu um elenco de promissores talentos: o egípcio Omar Sharif recebe o papel de Yuri Zhivago. “E eu pensava que seria o Pasha”, comenta o ator. Geraldine Chaplin interpreta Tonya, a doce e sempre apaixonada esposa de Yuri. A estonteante Julia Christie faz o papel de Lara, o turbulento amor de Zhivago, por quem os girassóis nascem e murcham, conforme a sua presença. Tom Courtenay é Pasha, um jovem idealista convicto, marido de Lara, que mais tarde, vem a se tornar um temido líder bolchevique. Sob os braços da Revolução, esse jovem idealista entrega sua vida sem temor nem renúncia.

Julie Christie e Omar Sharif 

Mas não só de rostos novos se faz o elenco deste filme. Nomes notáveis como o de Rod Steiger no papel de impiedoso Komarovsky, o perseguidor de Lara; o de Alec Guiness como Yevgraf, o misteriosos meio-irmão de Zhivago; além de Sir Ralph Richardson (padastro de Zhivago) e de Siobhan McKenna (mãe de Tonya), o filme garante a deliciosa harmonia necessária a um grande filme. Além do maravilhoso elenco, a equipe técnica de “Doutor Zhivago” é igualmente impecável. Desde a direção de arte (capaz de transformar um território hispânico no gélido Moscou), até a direção de fotografia, que imprimiu na película as luzes e cores das paisagens e dos interiores mais belos possíveis, em consonância com o que era narrado no romance. Acredito que em matéria técnica, a direção de fotografia chega a ofuscar os demais departamentos. As mudanças de estações do ano para determinar uma passagem no tempo, como, por exemplo, as cenas de inverno serem rodadas como num filme em preto e branco, e a alternância disso para uma tonalização ora dourada (lembrando das seqüências dos girassóis) ora prateada. A terceira grande cor presente no filme é o vermelho, capaz de exprimir todo o horror daquele momento.

A música de Maurice Jarre, também inesquecível, que contribuiu, e muito, para a colocação de “Doutor Zhivago” em um dos mais altos pedestais da Cinematografia Universal, também não pode ser desmerecida (nem poderia, pois só o “tema de Lara” é ainda lembrando como mais uma dos maravilhosos exemplos das mais belas trilhas sonora feitas pra Cinema). Tudo isso contribui para o engrandecimento de “Doutor Zhivago” ao hall dos clássicos inesquecíveis.

Geraldine Chaplin e Omar Sharif
Cada momento do filme é antológico, rico em emoções e significados. David Lean sempre foi conhecido como o grande cineasta das metáforas, e isso fica bem evidenciado no filme. As seqüências sob a lua, as folhas levadas pelo vento, as bandeiras, os trens, e, acima de tudo, dos girassóis, não são gratuitos. A vela na janela (bem recorrente na película) e a presença da balalaica (dada ao pequeno Zhivago no enterro de sua mãe, e herdado pela filha, no final do filme) são outros dos vários exemplos que poderiam ser motivos de aprofundadas análises do discurso fílmico.

De fato, é um filme profundo, poético e universal, tal qual o romance de Pasternak. Merece ser sempre revisitado e apreciado pelas novas gerações de cinéfilos, de fãs de Star Wars a fãs de Ridley Scott. “Dr. Zhivago” é uma das mais felizes provas de como um épico deve ser feito. De forma viva e humana, tal qual o personagem Jivago (que em russo significa “aquele que vive”), consequentemente, passível de falhas, mas imortal por seus feitos e impressões. É assim que deve ser.
CRÉDITOS DO TEXTO: inemacomrapadura.com.br





CARTAZES DO FILME




Doctor Zhivago - 1965

Sinopse 
Considerado um dos cem mais importantes filmes da história do cinema mundial, chega agora a versão definitiva de um verdadeiro clássico: Dr. Jivago. Vencedor de cinco Oscar® incluindo o de Melhor Trilha Sonora composta por Maurice Jarre, Dr. Jivago é um dos mais belos filmes dirigidos por David Lean (Lawrence da Arábia ), contando a história de um amor impossível entre o jovem médico Iury Jivago (Omar Sharif) e a bela Lara (Julie Christie), uma paixão que atravessa uma revolução e uma guerra mundial. Um filme apaixonante, com imagens memoráveis, como a da revolução russa nas ruas de San Petersburg, a travessia de trem pelos Montes Urais, e as incontáveis cenas de batalhas pela Europa durante a Segunda Guerra Mundial.



ELENCO E FICHA TÉCNICA 
Elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Alec Guinness,
Geraldine Chaplin, Rod Steiger,
Tom Courtenay e Siobhan McKenna
Diretor: David Lean.
Roteiro: Robert Bolt, baseado em
romance de Boris Pasternak.
Produção: Carlo Ponti.
Música: Maurice Jarre
Gênero: Drama/Romance/Guerra
País e Ano: EUA - 1965





CURIOSIDADES

O filme foi proibido na Rússia até 1994.

Omar Sharif tinha pedido ao diretor David Lean para fazer o papel de "Pasha" e ficou surpreso quando ele o convidou para o papel título.

O ator que fez o papel de jovem Yuri é o filho de Omar Sharif na vida real.

David Lean originalmente queria Marlon Brando no papel de "Victor Komarovsky" e lhe enviou o roteiro, mas Marlon Brando jamais lhe respondeu.

As filmagens foram realizadas na Espanha, durante o regime do general Francisco Franco.




PRÊMIOS E INDICAÇÕES
Oscar 1966 (EUA)
Ganhou cinco prêmios, nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte - Melhor Fotografia - Melhor Figurino - Melhor Trilha Sonora.
Foi ainda indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Tom Courtenay), Melhor Edição e Melhor Som.

Globo de Ouro 1966 (EUA)
Ganhou nas categorias de Melhor Filme -  Melhor Diretor, Melhor Ator - (Omar Sharif), Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora.
Recebeu ainda uma indicação na categoria de Melhor Revelação Feminina (Geraldine Chaplin).

BAFTA 1967 (Reino Unido)
Recebeu três indicações, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Britânico (Ralph Richardson) 
e Melhor Atriz Britânica (Julie Christie).

Grammy 1967 (EUA)
Ganhou na categoria de Melhor Trilha Sonora Composta Para um Filme.

Festival de Cannes 1966 (França)
Indicado à Palma de Ouro.

Prêmio David di Donatello 1967 (Itália)
Venceu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Vencedor de 5 Golden Globes
 Filme, Diretor (David Lean), Ator/(Omar Sharif)
Roteiro, Trilha Sonora



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