2 de novembro de 2014

Anônimo Veneziano, (1970)





TRILHA ORIGINAL
Anônimo Veneziano/Stelvio Cipriani

A magistral trilha sonora de Stelvio Cipriani é, sem dúvida, um dos pontos mais altos deste melodrama italiano. A partir do “Adágio do Concerto para Oboé e Cordas”, de Benedetto Marcello, compositor italiano do século XVIII, Cipriani criou uma romântica melodia para o filme.



ANÔNIMO VENEZIANO - 1970

É. A beleza é o anteparo da Morte e da Loucura. Ela nos poupa a entrada num mundo onde ou desconhecemos a fala – onde a comunicação não é possível, ou é muito difícil o entendimento.
Anônimo Veneziano – baseado no romance homônimo do escritor Giuseppe Beto, tem roteiro magistralmente desenvolvido pelo diretor Enrico Salerno.
A beleza feminina de Veneza nos dá a mão para atravessarmos esta história de perda. Morte da vida, morte do amor.
A decadência de Veneza – hoje em dia já bem mais restaurada – nos ensina que o tempo destrói porém a memória se mantém intacta – lembranças, sítios arqueológicos e sem data definida que incomodam o presente de forma invasiva e surpreendente.
Um casal nunca é desfeito quando as lembranças ainda se apresentam despudoradamente.
Sempre formamos par com alguém para rodopiarmos na dança da Vida.

Tony Musante e Florinda Bolkan

Um casal se desfaz. Não importa de quem foi o corte – nesse caso não gosto de usar o termo ‘culpa’. Têm um filho dessa união da juventude, vivida com amor e desejo. Agora, separados, vivem em cidades quase vizinhas; ela em outra união e ele ainda só.

O reencontro ocorre por um chamado desse ex-marido para (pressupomos) um derradeiro encontro. Ele está com pouco tempo de vida e esse pouco que lhe resta será extremamente penoso – um tumor inoperável no cérebro. Tragédia na medida certa!

Florinda Bolkan

A paisagem da Veneza decadente é a metáfora…ora bolas, mas que metáfora… é o belo, sedutor e apaixonado amor vivido num passado da gloriosa juventude – como todas as juventudes…

E o filme é um excelente parcour por Veneza enquanto rememoram a paixão que, numa noite, volta insistente e atrevida a unir o casal. A cama – leito de carícias ou arena de indiferenças – naquele último e lamentoso encontro, passou a ser um leito de morte: da vida e do amor. Nada mais resta a fazer senão um doloroso adeus.
Mas, Ó vós, homens de fé apoucada, o filme é lindo e ao final temos vontade de sair amando não importa quem. Porque si l’important c’est la rose, o importante é amar!
 Tony Musante

A música é enlouquecedoramente romântica. Do Concerto para oboé de Marcello, compositor italiano do século XVIII, peça belíssima e rara de ser encontrada em CD, o maestro Stelvio Cipriani recriou terna melodia para a música incidental do filme.

Florinda Bolkan, pasmem, trabalha direitinho e até ganhou um Donatello! Superior desempenho vai para seu parceiro Tony Musante, ítalo-americano que sumiu no tempo e no espaço mas jamais da minha memória. Dizem que trabalha em seriados. Pecatto!
Enrico Maria Salerno  é o personagem Zenone do “Exército de Brancaleone”; sua voz tão insinuante e carismática é a dublagem de Jesus Cristo no “Evangelho Segundo São Mateus”, de Pasolini.

Anônimo Veneziano. Non dimenticare mai!
Vale a pena uma ida à locadora de sua preferência. E se apaixonem, caso tenham tempo.
 CRÉDITO DO TEXTO: Edith Sarmento Dutra. Blog: Bloguices-ect.





Versão da Trilha com Cenas do Filme
Anonimo Veneziano - Fred Bongusto (Stelvio Cipriani)




CARTAZES DO FILME 






ANÔNIMO VENEZIANO - 1970

SINOPSE
Enrico (Tony Musante), um músico de renome, está muito doente e chama sua ex-mulher, Valeria (Florinda Bolkan), para visitá-lo em Veneza. Ao som da belíssima trilha sonora de Stelvio Cipriani, eles passeiam pelas ruas da cidade e conversam sobre o antigo relacionamento, o filho em comum, o amor e a vida.
Baseado no romance homônimo do escritor Giuseppe Beto, “Anônimo Veneziano” tem roteiro magistralmente desenvolvido pelo diretor Enrico Maria Salerno, com participação do escritor. Totalmente rodado em Veneza, talvez os roteiristas tenham querido fazer um paralelo entre uma cidade decadente e a vida de um homem condenado à morte por conta de uma terrível doença no cérebro. Para tanto, a fotografia de Marcello Gatti evita capturar locais nobres e vistos por milhões de turistas que visitam a cidade todo ano como, por exemplo, as Piazza e Basilica di San Marco, os Palácios, suas Pontes, etc



ELENCO E FICHA TÉCNICA 
Elenco: Tony Musante, Florinda Bolkan
Toti Dal Monte, Sandro Grinfan
Direção: Enrico Maria Salermo 
Roteiro: Enrico Maria Salermo e Giuseppe Berto 
Música Original: Stelvio Cipriani
Fotografia: Marcello Gatti
Produção: Turi Vasile

Nenhum comentário:

Postar um comentário