14 de novembro de 2014

Lawrence da Arábia, (1962)





TRILHA ORIGINAL(OSCAR)
OVERTURE (Maurice Jarre)

Maurice Jarre (1924-2009), nascido em Lyon, Maurice-Alexis Jarre iniciou seu aprendizado musical no conservatório de Paris, onde estudou percussão, composição e harmonia. Celebrizou-se, principalmente, por compor trilhas musicais das quais se destacam a parcerias com o diretor David Lean, que lhe renderam três prêmios Oscar: “Lawrence da Arábia” (1962), “Dr. Jivago” (1965) e “Passagem para a India” (1984). Jarre compôs para o teatro, concertos, óperas, balés e gravou seis CDs. Trabalhou também com John Frankeheimer (“O Trem”, 1965), René Clément (“Paris Está em Chamas?”, 1966), Richard Brooks (“Os Profissionais”, 1966), Anatole Litvak (“A Noite dos Generais”, 1967), Luchino Visconti (“Os Deuses Malditos”, 1969), John Huston (“O Homem que Queria Ser Rei”, 1975), Moustapha Akkad (“O Leão do Deserto”, 1981), Peter Weir (“Sociedade dos Poetas Mortos”, 1989).


LAWRENCE DA ARÁBIA (Lawrence of Arabia) - 1962

Se há filmes aos quais se associa a impossibilidade de serem feitos de novo hoje em dia, "Lawrence of Arabia" é certamente um dos melhores exemplos. O próprio Steven Spielberg que, como se sabe, tem o céu como limite, reconhece que, mesmo com toda a moderna tecnologia, seriam precisos mais de 250 milhões de dólares para produzir algo semelhante. E de qualquer modo não valeria a pena pois nunca teria a grandeza do original, que ele mesmo considera o melhor filme jamais realizado.



Classificado em 5º lugar na tabela do American Film Institute dos melhores 100 filmes de sempre, este épico incomparável é fruto da persistência e teimosia de David Lean, inglês nascido em Surrey no dia 25 de Março de 1908 (viria a falecer em Londres, a 16 de Abril de 1991), e que começou por trabalhar na montagem de filmes, durante toda a década de trinta. Depois, e a partir de 1942, realizou 16 longas metragens, destacando-se "Brief Encounter / Breve Encontro" (1946), "Oliver Twist" (1948), "The Bridge on the River Kwai / A Ponte do Rio Kwai" (1957), "Doctor Zhivago / Doutor Jivago" (1965), "Ryan's Daughter / A Filha de Ryan" (1970) e "A Passage to India / Passagem Para a India" (1984). Mas "Lawrence of Arabia", que dirigiu aos 54 anos, permanecerá sem dúvida como a sua coroa de glória. 



OSCAR DE MELHOR FOTOGRAFIA: FREDIE YOUNG



Omar Sharif, um dos emblemáticos actores do filme, interroga-se ainda hoje como foi possível conseguir realizar-se tal empreendimento: «imagino-me no papel do produtor do filme e vir alguém dizer-me que queria investir uma montanha de dinheiro num projeto de cerca de quatro horas, sem estrelas, sem mulheres e nenhuma história de amor, sem grande ação também e inteiramente passado no deserto, por entre árabes e camelos... Com certeza que levava uma corrida!». Mas felizmente tal não aconteceu com David Lean, por culpa talvez dos 7 Oscars que o seu último filme também recebera.

 "Lawrence of Arabia" é um filme que, pelo menos uma vez, deveria ser visto no grande écran de uma sala escura (este ano passou uma cópia digital numa das salas do El Corte Inglês). Só assim se poderá usufruir de toda a sua grandiosidade. Hoje considero-me um privilegiado por ter vivido esse momento único no início da década de 70, quando da reposição do filme em todo o mundo. Apesar de já então se encontrar amputado em cerca de meia hora. Mas mesmo assim, assistir ao vivo, no esplendor dos 70 mm de uma grande sala de cinema (hoje em dia uma impossibilidade estabelecida) foi sem dúvida uma excitante e inesquecível experiência.

Anthony Quinn, Peter O'Toole e Omar Sharif
É que "Lawrence of Arabia" não é apenas um filme biográfico ou de aventuras, muito embora contenha esses elementos. Acima de tudo, é um filme que usa o deserto como palco de emoções, cativando os espectadores a ponto deles se entregarem totalmente ao puro prazer sensorial de ver e sentir o impacto do vento ou do sol abrasador nas dunas. E isto é algo que não se pode descrever por palavras, tal como não se pode explicar o amor que por vezes sentimos por uma pessoa em especial; e neste caso é o deserto essa outra pessoa, o objecto da nossa paixão.


Acrescente-se agora a memorável música de Maurice Jarre e temos essa paixão elevada aos píncaros do sublime e do êxtase. É esta a razão pela qual as pessoas não se lembram do filme por elementos narrativos; recordam antes uma série de momentos visuais, cuja magia perdura na memória do filme: o apagar de um fósforo a originar o nascer do sol no deserto; a aproximação de uma silhueta no horizonte, como se de uma miragem se tratasse; a travessia do deserto de Nefud; o espectacular ataque a Akaba; o descarrilamento do comboio; a entrada de Lawrence no bar dos oficiais..., e a sequência mais bela - o resgate de Gasim por Lawrence - aqui tudo se conjuga na perfeição. Oberve-se a importância capital da música: começa titubeante, indecisa, a ilustrar a dúvida de Farraj sobre a veracidade da silhueta que mal se distingue ao longe (será ou não uma miragem mais?).
Depois, e à medida que a dúvida se transforma em certeza, a música vai crescendo também, até acompanhar o galope desenfreado das duas montadas e os gritos de alegria dos dois homens na iminência do reencontro. É por cenas destas, sem qualquer diálogo, puramente cinemática, que se reconhece a genialidade dos grandes artistas. E David Lean foi sem dúvida um dos maiores.

CARTAZES DO FILME 






















Uma referência final a Peter O'Toole, que tem aqui um início fulgurante de carreira, com um papel à medida de toda uma vida. Este Irlandês nascido em County Galway (a 2 de Agosto de 1932) mas educado em Leeds, Inglaterra, teve na década de 60 os seus anos de glória no cinema, depois de doze anos passados nos palcos de teatros, nos quais se iniciou com apenas 17 anos; frequentou a Royal Academy of Dramatic Arts, onde teve por colegas Alan Bates, Richard Harris ou Albert Finney. Filmes como "Becket" (1964), "Lord Jim" (1965), "What's New, Pussycat / Que há de Novo, Gatinha?" (1965), "How To Steel a Million / Como Roubar Um Milhão" (1966), "Night of the Generals / A Noite dos Generais" (1969), "The Lion in Winter / O Leão no Inverno" (1969), "Goodbye Mr. Chips / Adeus Mr. Chips" (1969) ou ainda "Man of La Mancha / O Homem da Mancha" (1972), ficarão para sempre associados às magníficas interpretações de O'Toole, que conseguia estar à vontade em qualquer tipo de papel. Nomeado 8 vezes para o Oscar, nunca conseguiu levar para a casa a almejada estatueta, apesar de ser considerado um dos melhores actores da sua geração. Nos Globos de Ouro a sorte sorriu-lhe mais: ganhou aquele prêmio por três vezes (nos filmes "Becket", "The Lion in Winter" e "Goodbye Mr. Chips"), num total de oito nomeações. Na déada de 70 problemas de alcool quase que lhe arruinaram de vez a carreira e a própria vida. Conseguiu sobreviver, apesar dos múltiplos tratamentos a que foi submetido lhe terem acabado para sempre com a beleza da juventude, tão bem captada naqueles filmes.
CRÉDITO DO TEXTO: O_RATO_CINÉFILO



CARTAZES DO FILME
CRÉDITO


















CURIOSIDADES
- Quando o filme estreou, em Dezembro de 62, apresentava uma metragem original de 222 minutos. Pouco tempo depois foram cortados cerca de 20 minutos. Em 1971, quando da primeira reposição, mais 15 minutos foram retirados, sendo esta a versão que foi sendo apresentada nas duas décadas seguintes. Apenas em 1989 se procedeu a uma restauração do filme, que ficou com uma metragem final de 216 minutos. Esta restauração foi levada a cabo por Robert A. Harris, com a colaboração de Martin Scorsese e Steven Spielberg, além do próprio David Lean. Para a gravação de novos diálogos (devido ao mau estado ou mesmo à inexistência dos mesmos em cenas adicionais descobertas) foram de novo chamados os actores principais.

- David Lean pretendia o actor Albert Finney para o papel de Lawrence; mas Katharine Hepburn convenceu o produtor Sam Spiegel a contratar Peter O'Toole.

- Apesar da sua longa duração, é um dos raros filmes onde não existe qualquer papel falado por uma mulher.

- Enquanto rodava as cenas de sabotagem dos comboios, a equipa de filmagens encontrou destroços dos verdadeiros comboios que Lawrence fez explodir.

- David Lean tem uma curta aparição como o motociclista que grita para Lawrence "Who are you?", do outro lado do canal do Suez.

- Marlon Brando não aceitou o papel de Lawrence por se ter comprometido em desempenhar Fletcher Christian no filme "Mutiny on the Bounty".

- A interpretação de Peter O'Toole foi considerada pela revista Premiere o melhor desempenho de todos os tempos.

- Em 2007 o American Film Institute classificou "Lawrence of Arabia" no 5º lugar da lista dos Melhores Filmes de Sempre (e em nº 1 do género épico)





LAWRENCE DA ARÁBIA (Lawrence of Arabia) - 1962

SINOPSE
Em 1935, quando pilotava sua motocicleta, T.E.Lawrence (Peter O'Toole) morre em um acidente e, em seu funeral, é lembrado de várias formas. Deste momento em diante, em flashback, conhecemos a história de um tenente do Exército Inglês no Norte da África, que durante a 1ª Guerra Mundial, insatisfeito em colorir mapas, aceita uma missão como observador na atual Arábia Saudita e acaba colaborando de forma decisiva para a união das tribos árabes contra os turcos.


ELENCO E FICHA TÉCNICA
Elenco: Peter O'Toole, Alec Guinness, 
Anthony Quinn, Jack Hawkins, 
Omar Sharif, José Ferrer, Anthony Quayle, 
Claude Rains, Arthur Kennedy
Direção: David Lean
Music by Maurice Jarre
Performed by London Philharmonic Orchestra
Conducted by Maurice Jarre
Roteiro: Robert Bolt, Michael Wilson
Gênero: Aventura , Histórico , Biografia 
Origem e Ano:  Reino Unido , EUA - 1962
Fotografia: Freddie Young
Produção: Sam Spiegel


PRÊMIOS E INDICAÇÕES
OSCAR - 1963
Melhor Filme
Melhor Diretor - David Lean
Melhor Fotografia
Melhor Direção de Arte
Melhor Edição
Melhor Música
Melhor Som
Também indicado
Melhor Ator - Peter O'Toole
Melhor Ator Coadjuvante - Omar Sharif
Melhor Roteiro Adaptado


BAFTA - 1963
Melhor Filme
Melhor Filme Britânico
Melhor Roteiro Britânico
Melhor Ator Britânico - Peter O'Toole
Também indicado
Melhor Ator Estrangeiro - Anthony Quinn


GLOBO DE OURO - 1963
Melhor Filme - Drama
Melhor Diretor - David Lean
Melhor Fotografia
Melhor Ator Coadjuvante - Omar Sharif
Também Indicado
Melhor Ator - Drama - Anthony Quinn
Melhor Ator - Drama - Peter O'Toole
Melhor Trilha Sonora




QUEM FOI LAWRENCE DA ARÁBIA?
“Todos os homens sonham, mas não da mesma forma. Os que sonham de noite, nos recessos poeirentos das suas mentes, acordam de manhã para verem que tudo, afinal, não passava de vaidade. Mas os que sonham acordados, esses são homens perigosos, pois realizam os seus sonhos de olhos abertos, tornando-os possíveis. T. E. Lawrence, o Lawrence da Arábia.
Foi um grande aventureiro britânico do início do século 20, um misto de arqueólogo, estrategista militar e escritor. Sua vida foi tão movimentada que acabou se transformando em um filme de grande sucesso na década de 60. Thomas Edward Lawrence, ou simplesmente T.E. Lawrence, iniciou a trajetória que o tornaria mundialmente famoso entre 1911 e 1914, período em que trabalhou numa expedição arqueológica no Oriente Médio. Ele aproveitou a oportunidade para aprender árabe e conhecer os costumes da região. Quando a Primeira Guerra Mundial começou, em 1914, ele se alistou nas Forças Armadas e, devido aos seus conhecimentos sobre o Egito e o Oriente Médio, passou a fornecer informações estratégicas para o Exército britânico. Seu principal papel na guerra, porém, foi outro. Lawrence ajudou a enfraquecer o Império Turco-Otomano, inimigo dos ingleses, incentivando tribos árabes a se rebelarem contra os turcos. Nem tudo, porém, saiu como ele queria. Em 1917, o aventureiro foi capturado pelos otomanos e, antes de conseguir escapar, foi torturado e sofreu violências sexuais. Ao final da guerra, em 1918, traumatizado por suas experiências e desiludido com o tratamento dado pelos ingleses aos seus velhos aliados árabes, recusou condecorações e abandonou o Exército. Durante a década de 20, Lawrence se dedicou a escrever suas memórias, organizadas no livro Os Sete Pilares da Sabedoria. Embora a obra seja um pouco inexata e fantasiosa em vários pontos, ela adquiriu grande importância histórica e artística. "É um dos poucos trabalhos escritos em inglês no século 20 a apresentar uma visão épica de personagens contemporâneos, revelando as complexas transformações por que passou seu autor", diz o crítico e historiador Stanley Weintraub, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Lawrence morreu em 19 de maio de 1935, aos 47 anos, em conseqüência dos ferimentos que sofrera seis dias antes, num acidente de moto.
Árabe por opção. Para enfrentar os turcos, ele passou a viver como seus aliados no Oriente.
Durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Turco-Otomano, aliado da Alemanha e inimigo dos ingleses, ocupava boa parte do Oriente Médio. Isso colocava em risco o funcionamento do canal de Suez, no Egito, importante ligação marítima usada pelos britânicos para chegar às suas colônias asiáticas. Como várias tribos árabes estavam insatisfeitas em ver suas terras sob o controle turco, os ingleses utilizaram essa revolta para instigar os árabes contra os invasores. T.E. Lawrence foi mandado ao Oriente Médio para fornecer uma pequena ajuda militar às tribos. Transformado em assessor do principal chefe árabe, Hussein ibn Ali, o aventureiro inglês comandou importantes ataques da guerrilha contra os turcos. A imprensa, então, passou a se referir ao aventureiro como Lawrence da Arábia. Ele de fato passou a se vestir como seus aliados e a admirar o povo que lutava ao seu lado. A revolta árabe enfraqueceu decisivamente o Império Turco. Após o fim da guerra, porém, os ingleses e as outras potências européias vitoriosas dividiram o mapa do Oriente Médio de acordo com seus interesses, ignorando as reivindicações das tribos árabes, apesar das promessas de autonomia que haviam feito a elas.
CRÉDITO DO TEXTO: mundoestranho.abril


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