4 de novembro de 2014

Papillon, (1973)





TRILHA SONORA
 Tema para PAPILLON (Jerry Goldsmith)

Em relação à técnica, é lícito citar a trilha sonora que ganhou bastante destaque naquele tempo – e prêmios, inclusive. O tema do longa foi indicado ao Oscar e é obra de Jerry Goldsmith, responsável por boa parte da trilha sonora de Jornada nas Estrelas e de “Allan Quatermain e a Cidade de Ouro Perdido”. É uma trilha leve e dramática que caiu no gosto do público!




Papillon - 1973

Um dos filmes mais adoráveis que já tive o prazer de assistir. Papillon é um filme comovente, ao menos aos meus olhos, porque, em primeiro lugar, traz à tela um ator que estimo muito, Steve McQueen, que tinha o fino talento de personificar como ninguém sujeitos obcecados. Seja um piloto, como em “24 Horas de Le Mans”, seja um “tira” linha dura como em “Bullit”, ou como um criminoso deportado para uma ilha penal esquecida na América Central, cuja única e inamovível ideia é a fuga.

 Dustin Hoffman

Considerando que “Papillon” tem já quase 40 anos é improvável que você tenha tropeçado nele na Sessão da Tarde. Por outro lado, com bastante probabilidade, deve ter visto “Um Sonho de Liberdade”, com Tim Robbins e Morgam Freeman. É quase a mesma coisa: um sujeito preso, uma amizade que floresce na cadeia e a luta diária desse sujeito para não enlouquecer e fugir.

Mas as semelhanças param por aí. Papillon é um assassino condenado a prisão perpétua na inescapável “Ilha do Diabo”, uma colônia penal no litoral da Guiana Francesa. A história se passa nos anos 1930 e o registro consta do livro do verdadeiro Papillon, Henri Charrière.

Steve McQueen veste o personagem com grande simplicidade. Foram praticamente feitos um para o outro. A cada tentativa de fuga que acaba em malogro, Papillon tenta novamente, e novamente, e novamente. Se submete a uma solitária onde a luz não entra, em um cárcere desumano que dura dois anos. Mas sai de lá sempre com a ideia fixa, a fuga, a liberdade. O corpo vai debilitando, a idade acumulando e o tempo passando, mas Papillon é como uma força da natureza: a liberdade para ele é um imã e ele não consegue resistir. Papillon fora enviado à prisão com uma sentença de 20 anos que suas numerosas tentativas de fuga aumentaram muito.

Dustin Hoffman e Steve McQueen

É impressionante a atuação de Steve McQueen neste que é um dos grandes trabalhos de sua carreira. Sua postura ao personificar cada estágio do crescimento e vida da personagem não destoa em um só instante da noção de claustro que o filme exige do espectador. O filme, para alguns, é um pouco longo demais, mas mesmo a duração da fita que pode ser considerada excessiva, deve ser relevada em virtude do custo/benefício do filme, de sua história e de suas personagens.

“Papillon” não seria o filme que é sem a presença de um jovem Dustin Hoffman. O ator vive um falsário muito habilidoso, que frágil diante das inclemências da “Ilha do Diabo” e para o convívio com os demais presos, precisa de proteção física. Ele a compra na medida em que é capaz, através de suas capacidades, de falsificar tudo. O produto de seus crimes continua com sua esposa que, mediante sua autorização, administra o dinheiro e paga aos serviços de seus aliados.

E o mais importante deles é Papillon. A relação dos dois começa na toada comercial de contrato de serviços, mas logo extrapola, tornando-se em uma amizade para toda a vida. “Papillon” apresenta uma jornada maiúscula de vida, aventura, persistência e adaptabilidade a uma vida sob pressão e em situações extremas. Todos estes ingredientes bem dosados e ministrados no momento certo, fazem deste filme um clássico irresistível a qualquer audiência.

Steve McQueen

Em relação à técnica, é lícito citar a trilha sonora que ganhou bastante destaque naquele tempo – e prêmios, inclusive. O tema do longa foi indicado ao Oscar e é obra de Jerry Goldsmith, responsável por boa parte da trilha sonora de Jornada nas Estrelas e de “Allan Quatermain e a Cidade de Ouro Perdido”. É uma trilha leve e dramática que caiu no gosto do público e que você pode ouvir aqui.

Em termos de direção, a responsabilidade coube a Frankin J. Shaffner, que assina também filmes importantes como “Patton: Rebelde ou Herói?”, “Meninos do Brasil” e “Planeta dos Macacos”, o original, dos anos 1960 e com Charlton Heston no elenco. Shaffner conduziu um filme com roteiro promissor e elenco espetacular a um bom termo, deu os contornos tão intensos da trajetória de Papillon de uma forma equilibrada e que faz do filme um clássico indisputável do cinema.

Dustin Hoffman e Steve McQueen em Papillon, 1973

“Papillon” é um filme de jornada. Uma história única, de uma prisão monstruosamente desumana e que realmente existiu. Conta a obceção de um homem pela ideia de liberdade e mostra que, a cada debacle, a cada passo em falso, a cada queda, ele volta e faz tudo de novo. Papillon resgata aqueles tipos de valores e qualidades que todas as pessoas, se não imaginam ter, adorariam poder ostentar: determinação, capacidade, vontade, força e persistência.

E ao evocar essas qualidades, de maneira convincente e bastante eficiente, o filme ressalta o que há de humano em nós, nos contrapondo com nossas incapacidades, defeitos e fraquezas. A história toda de “Papillon” é um convite às qualidades mencionadas no parágrafo anterior, mas é também um lembrete de que  nem todos as temos em doses industriais como o francês fujão que, e isso todos em maior ou menos grau compartilham com a personagem, viveu uma vida de obceção pela ideia e pelo usofruto da liberdade.
CRÉDITO DO TEXTO: Grandes filmes que eu vi



CARTAZES DO FILME














Papillon - 1973

SINOPSE
Um dos maiores clássicos do cinema de todos os tempos. A impressionante determinação de um homem em se libertar das grilhetas que o mantém preso por um crime que sempre declarou ser inocente. Steve McQueen é Henri Charriére, conhecido como Papillon. Acusado e condenado por homicídio tentou por várias vezes a sua sorte em arriscadas fugas, até finalmente conseguir. Dustin Hoffman é Dega, o seu parceiro de prisão. Um hino à coragem, determinação e disciplina e principalmente ao que um espírito verdadeiramente livre e indestrutível pode conseguir face a desafios terríveis.


ELENCO E FICHA TÉCNICA
Elenco: Steve McQueen, Dustin Hoffman, Victor Jory,  
Don Gordon e Anthony Zerbe
Genero: Drama, Biografia
Diretor: Franklin J. Schaffner
Roteiro: Dalton Trumbo e Lorenzo Semple Jr 
em adaptação ao livro de Henri Charrière
Música: Jerry Goldsmith
País e Ano: Estados Unidos - 1973




PRÊMIOS
 Uma indicação ao Oscar: melhor música original, e uma indicação ao Globo de Ouro para Steve McQueen, como melhor ator.

CURIOSIDADES
 Papillon existiu de verdade. Há relatos que dão conta de que teria de fato escapado e se estabelecido como próspero fazendeiro em algum lugar do norte do Brasil.


Um comentário:

  1. A análise desse filme fantástico é irreparável, inclusive a relação com "Um sonho de liberdade".

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